terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

via sacra particular

qualquer que seja o número da estação, já não faz mais qualquer sentido numerá-las, cai mais uma vez... e porque qual Candido ingenuamente acredito na virtude, na verdade e nas promessas...
devia ter prestado mais atenção nas aulas de semiotica, e ouvido a admoestação dos mestres, de que discurso e práxis são dois universos completamente distintos....

depois eu continuo isso... o rivotril nao me deixa pensar com clareza rs
revisito meu diário moderno,
sempre que o vento me passeia,
e beijando meus dias foi levando o que podia...

só não levou as pequenas gentilezas,
um resto de esperança,
e a saudade

não tenho a genialidade dos poetas,
na verdade rabisco essas linhas mal escritas
na tarefa inglória de traduzir meus sentimentos
como se fosse possível

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

posso até chorar
mas a alegria vem de manhã
...
meus olhos vão pelo impossível acontecer

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

dedicatória

estou profundamente angustiado por não saber a quem dedicar o meu livro...
talvez esse seja o pior dilema do autor, dedicar? dedicar a quem?
a etimologia do verbo dedicar é muito interessante, pode significar ao mesmo tempo destinar e consagrar, por sob a proteção de alguém, ou ainda entregar e aperfeiçoar (considerado em sua forma reflexa)
a polissemia do dedicar faz com que a dedicatória se torne uma tarefa absolutamente complexa e desgastante.
se tivesse uma pessoa a quem dedicá-lo talvez fosse mais fácil, pensaria em algo que tivesse sentido para a subjetividade dedicada e que não destruísse o constructo do livro...
se houvesse uma instituição a qual dedicar o fruto do meu trabalho igualmente fá-lo-ia sem maior dificuldade...
não há...
dedicar pra que?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

mística da imanência

sempre tive muito interesse em entender a mística... não do ponto de vista religioso, mas filosófico ou antropológico.
percebi, vivendo, que a transcendência, a "queda para o alto", o encontro com o outro, enfim, só é possível com a experiência da negação, da privação absoluta e do nada.
a negação de si leva ao encontro do outro.
a privação absoluta movimenta a alma para uma experiência singular do todo.
e tenho suspeitado de que o nada não provoca a náusea sartreana, mas liberta o homem para a uma vida plena e para a experiência de tudo.
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ainda me intrigo como alguns homens absolutamente são impossibilitados da experiência mística de transcender a si e encontrar-se com o outro.
como alguns homens decididamente não conseguem sentir empatia.
a mística conduz a um amor profundo pela humanidade, e essa é a natureza de toda empatia.
sofrer com o outro, o sofrimento do outro, identificar-se profundamente com a dor alheia, não negá-la e conduzir o outro à redenção talvez seja aquilo que faz o homem capaz da mística... uma mística da imanência...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

sobre todas as coisas II

o que mais me entristesse é que eu não tenho nada meu, que não teria te entregue de bom grado, se me tivesse pedido com gentileza e verdade...
saber que nunca entendeu o tamanho do carinho que eu tinha por você...
me angustia, mais ainda, que você tenha mentido pra mim, alimentado meus sonhos de amizade, e covardemente brincado com meus sentimentos.
duas vezes traído, e em tão pouco tempo!!
nem seus amigos mais próximos suportaram a leviandade de sua conduta.
meu caráter não é inclinado à vingança, talvez esta seja sua sorte, não espere, contudo, minha mão ou meu respeito...
espero, de verdade, que o seu sonho rubio não se desfaça por conta de sua vilania e maldade.
espero, ainda mais uma coisa, que o tempo te dê caráter.

sobre todas as coisas

Diz a música que não há no mundo quem possa condenar alguém que a um outro alguém deixou de amar...