segunda-feira, 31 de agosto de 2009

posso até chorar
mas a alegria vem de manhã
...
meus olhos vão pelo impossível acontecer

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

dedicatória

estou profundamente angustiado por não saber a quem dedicar o meu livro...
talvez esse seja o pior dilema do autor, dedicar? dedicar a quem?
a etimologia do verbo dedicar é muito interessante, pode significar ao mesmo tempo destinar e consagrar, por sob a proteção de alguém, ou ainda entregar e aperfeiçoar (considerado em sua forma reflexa)
a polissemia do dedicar faz com que a dedicatória se torne uma tarefa absolutamente complexa e desgastante.
se tivesse uma pessoa a quem dedicá-lo talvez fosse mais fácil, pensaria em algo que tivesse sentido para a subjetividade dedicada e que não destruísse o constructo do livro...
se houvesse uma instituição a qual dedicar o fruto do meu trabalho igualmente fá-lo-ia sem maior dificuldade...
não há...
dedicar pra que?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

mística da imanência

sempre tive muito interesse em entender a mística... não do ponto de vista religioso, mas filosófico ou antropológico.
percebi, vivendo, que a transcendência, a "queda para o alto", o encontro com o outro, enfim, só é possível com a experiência da negação, da privação absoluta e do nada.
a negação de si leva ao encontro do outro.
a privação absoluta movimenta a alma para uma experiência singular do todo.
e tenho suspeitado de que o nada não provoca a náusea sartreana, mas liberta o homem para a uma vida plena e para a experiência de tudo.
::
ainda me intrigo como alguns homens absolutamente são impossibilitados da experiência mística de transcender a si e encontrar-se com o outro.
como alguns homens decididamente não conseguem sentir empatia.
a mística conduz a um amor profundo pela humanidade, e essa é a natureza de toda empatia.
sofrer com o outro, o sofrimento do outro, identificar-se profundamente com a dor alheia, não negá-la e conduzir o outro à redenção talvez seja aquilo que faz o homem capaz da mística... uma mística da imanência...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

sobre todas as coisas II

o que mais me entristesse é que eu não tenho nada meu, que não teria te entregue de bom grado, se me tivesse pedido com gentileza e verdade...
saber que nunca entendeu o tamanho do carinho que eu tinha por você...
me angustia, mais ainda, que você tenha mentido pra mim, alimentado meus sonhos de amizade, e covardemente brincado com meus sentimentos.
duas vezes traído, e em tão pouco tempo!!
nem seus amigos mais próximos suportaram a leviandade de sua conduta.
meu caráter não é inclinado à vingança, talvez esta seja sua sorte, não espere, contudo, minha mão ou meu respeito...
espero, de verdade, que o seu sonho rubio não se desfaça por conta de sua vilania e maldade.
espero, ainda mais uma coisa, que o tempo te dê caráter.

sobre todas as coisas

Diz a música que não há no mundo quem possa condenar alguém que a um outro alguém deixou de amar...
só entende o que é amor quem é capaz de esvaziar-se e de negar-se,
quem é incapaz de provar o nada, é igualmente incapaz de transcender e encontrar o outro
foi caminhar pela estrada dos caminhos que se bifurcam...
não importava as escolhas que fizesse, todas conduziriam ao mesmo fim.
e por mais que andasse errante o caminheiro, terminaria, sua sina, triste!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

o tempo

eu esperei o tempo falar por mim
todas as coisas que minha cabeça confusa
e minha linguagem atrapalhada
não poderiam dizer adequadamente
e você de inopino apareceu,
conversamos, rimos muito, e embalados pelo vinho
(que apenas eu havia tomado por nós dois)
nos entregamos um ao outro
um abraço cheio de saudade interrompeu os meses de silêncio
e um beijo aconteceu... um beijo doce e tímido
não era o beijo dos amantes, nem era um beijo dos amigos
éramos como adolescentes que se amam desde a mais tenra infância
e tinham um universo para descortinar e descobrir
::
Ainda me lembro de um bilhete singelo que deixei na capa de um livro,
nele eu dizia solene que você era meu "anime custus", você ficou silente sem entender
e apesar de não ter perguntado o que significaria tal inscrição, me pus, como d'outra forma
não haveria de ser, a te explicar, aquilo que eu também não conseguia entender.
Dizia um medievalista que a palavra "amigo" seria derivada de "anime custos", que é bom português significa custódio da alma.
Dizia, que a minha opção pelo latim, talvez por conta da minha formação, queria materializar a densidade absoluta do que você significava, desde aquele momento, pra mim. A imagem de entregar a outrem a própria alma, para que ele a custodie é imensamente rica, como se estabelecesse uma servidão voluntária, ou uma doação perene do próprio ser do doador ao donatário.
E entre amizade e amor não existe diferença. Os dois sentimentos são como que um cativeiro sem grades, sem bedéis e sem juízes... o que nos mantém presos, e por vezes imóveis, são lembranças, cheiros, olhares e ecos...
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quarta-feira, 29 de julho de 2009

ando errando muito...
errante caminheiro
as apalpadelas procuro
um lugar pra descansar minh'alma

eu queria, no fim das contas, ser poema
pra que a licensa poética
transformasse meu erro
em beleza e poesia!!!

domingo, 14 de junho de 2009

efemérides

Durou "pouco mais" que um dia... mas foi intenso o bastante para me libertar do passado
e ver que ainda há vida, muita vida, onde meu olhar já não alcançava. E se foi, no momento exato em que o coração endurecido começava a ceder...

Sei que deixou algo, não sei se levou... (eu tenho o mal hábito de ficar com muito dos outros, e negá-los quase tudo, talvez seja o reflexo da minha infância pobre), mas acredito que sua alegria, apesar de as vezes triste, naqueles dias, foi sincera, e também te ensinei a enxergar o horizonte!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

a marca

Me reluto em aceitar, mas tenho uma marca inscrita na fronte
qual flor de lotus que era designativa dos mal-feitores e criminosos
ela me distingue de todos os outros... uma marca maldita!!
como se por um pacto satânico com o qual não consenti
eu fosse levado aos píncaros da glória e da fortuna.
Meu castigo, contudo, é pior que o de Midas
Tudo o que realmente gosto, eu não posso ter!!!
Tudo o que realmente quero, me é privado, por uma força indômita
Seria eu o inglório descendente de Caim?!
Porque de mim se afastam os que amo?
Que imenso mal devo ter feito?!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

o anúncio

Ontem não me deram notícias agradáveis... impávido, ouvia calado que já não estava mais só. De certa forma sempre me preparei para ouvi-lo, ou para vê-lo (o que seria pior)... não me alarmei, pelo menos não na frente de quem me dava a notícia.
Como no dia em que te perdi, alguma coisa novamente mudava em mim!
Inconsciente do que houvera, retomei a rotina; já era noite, me restavam algumas tarefas... quando tomei consciência, percebi que havia sobrevivido à esperança.
Ela havia morrido, como podia ter me abandonado a última companheira?! E me senti só como nunca...
Minh'alma havia perdido seu anime custus, e agora deveria cortejar a esperança... mas não era o cortejo dos amantes, era um cortejo fúnebre... não havia testemunhas, não havia carpideiras, nem som, nem luz, nem flor... afinal, era a esperança que partira.
Sigo, já sem nada... mais ainda sigo...

terça-feira, 5 de maio de 2009

uns braços

ontem eu te vi sendo acalentado por braços que não são os meus...
isso me incomodou de uma forma indescritível
eu soube discernir que não era o abraço de um novo amor,
que apenas te protegia do frio

como quis que fossem os meus, aqueles braços
os braços que te confortavam
que te protegiam e te acolhiam...

e você com o seu sorriso folgado, e com sua risada larga
demonstrava todo contentamento do mundo

e me viu passar...
e viu a inveja que senti daqueles braços

domingo, 3 de maio de 2009

não se esqueça de mim

Onde você estiver, não se esqueça de mim
Com quem você estiver não se esqueça de mim
Eu quero apenas estar no seu pensamento
Por um momento pensar que você pensa em mim
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Mesmo que exista outro amor que te faça feliz
Se resta, em sua lembrança, um pouco do muito que eu te quis
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Eu quero apenas estar no seu pensamento
Por um momento pensar que você pensa em mim
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Quando você se lembrar não se esqueça que eu
Que eu não consigo apagar você da minha vida
Onde você estiver não se esqueça de mim

r.c.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

eu pensei q te esquecer fosse fácil
não é....

é uma pena q vc não deve ler o blog
me arrependo tanto de não ter te conseguido fazer feliz
e por não te fazer feliz eu tb não sou

te procuro em outras pessoas,
e não me poupei, nem num pouco

não sei se um dia vou conseguir te dizer,
mas vc foi meu grande amor
e quando se ama um ser, é como se todos os outros morressem

queria ter o coração flexível e conseguir olhar pro resto do mundo
nunca estive tão acompanhado e tão sozinho

nada existe pra mim...
nem os calmantes, nem os antedepressivos fazem mais efeito
nem o cigarro, nem a bebida...
nem os livros.....

queria vc do meu lado
a falta de esperança é um tormento

ainda te amo
acho q nunca vou deixar de te amar
o amor é eterno...

por isso te respeito, espero q seja feliz, ainda que não seja comigo
sigo, triste... mas sigo... esperando q um dia novamente nossos caminhos se cruzem
e que dessa vez eu não erre tanto

quinta-feira, 16 de abril de 2009

eros e thanatos

Andava pensando sobre o amor e a morte, não como antes. Antes, amor e morte era alguma coisa que se relacionava apenas nas tragédias shakesperianas, ou na pulsão de vida e pulsão de morte freudianas, ou por último, nos binômios da individualidade e da indiferenciação, só pra falar de alguns...

Agora amor e morte se materializaram na forma como eu de tanto te amar, acabei te matando. Te matei porque te quiz imensamente e não adimitia não te ter ao meu lado sempre. Te matei em mim. Te assustei e afastei de mim, sendo egoísta, exclusivista e possessivo.

Da forma que hoje vivo, a sua procura, já não vivo senão morro. E amor e morte voltam a ser com dantes... tragédia.

Queria ter coragem pra te dizer tudo isso, mas como dizê-lo se mal consigo olhar-te nos olhos? Se nossas conversas são sempre esquivas e se o último réstio de esperança tivesse se esvaido?

Eu sempre desejei morrer com a esperança, melhor, antes dela. Mas os desígnios imprescrutáveis do caosmos me reservaram destino muito mais doloroso, e sobrevivi a esperança.

Sigo sem vc e sem ela... mas sigo, pra onde? quem se importa?!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

me fizeram pensar hj sobre como devemos responder as adversidades...
e fizeram uma comparação interessante, com o ovo, a cenoura e o café

os três quando submetidos a fervura respondem de forma diferente
o primeiro endurece
a segunda amolece
o terceiro transforma a àgua

terça-feira, 7 de abril de 2009

outono

... as folhas secas das árvores forram meu caminho inconluso denunciando que o outono chegara. Inevitável e impiedoso, por ser filho do tempo, se impunha sobre todas as vontades, por mais resolutas que fossem, e anunciava: os sinais eram inequívocos, iria nevar.

Belo e triste como os homens foi o dia dos meus anos. Já não havia razões para comemorar, o tempo tem me roubado as forças... sigo vivendo enquanto o velho barqueiro não me convoca para a última viagem.

Sem mistério, a vida segue quase morta. Se você tivesse do meu lado, meu fardo seria ao mesmo tempo mais pesado e mais leve...

somam-me os dias

os dias se me somam, já não sinto...
apenas sigo, com migualhas de esperança no fundo da algibeira
as vestes rotas e sujas pelo pó da estrada
os pés cansados (não sangram mais),
não os sinto

lembro-me vagamente do dia em que me tornei andarilho
era o início do verão, nossas vidas se cruzaram
eu parei naquele dia, você seguiu sem mim,
pra onde não sei

seus olhos ainda me perseguem em sonho,
como se me olhassem
embora eu tenha plena consciência
que já não se importa mais...

nos dias de calor,
as lembranças me acomentem de uma dor insuportável
é como se a memória do teu corpo estivesse inscrita em minh'alma
e já não há o que fazer
a não ser caminhar
proscrito, bandoleiro, e errante
e seguir, a sua procura,
mesmo que não te encontre...

quinta-feira, 26 de março de 2009

blog sem atividade...
eu sem criatividade...
voltei à rotina massacrante
dos autos, dos livros sem cor
e sem vida

domingo, 15 de março de 2009


O Nosso Amor a Gente Inventa

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba, a gente pensa
Que ele nunca existiu

O nosso amor a gente inventa, inventa
O nosso amor a gente inventa, inventa
Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa

Mas ficou tudo fora do lugar
Café sem açucar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma estória romântica

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba, a gente pensa
Que ele nunca existiu

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

o equilíbrio

Clamo por justiça a ti o Nêmesis
para que restabeleça o equilíbrio
e faça cumprir os desígnios de Themis
Tu que és invevitável, implacável como o destino
das alento e recompensa os injustiçados
eu, pequeno, te invoco!!
Como puniste a Narciso por seus jogos de sedução
vem em meu socorro, não para retaliar os que
fazem sofrer e machucam o coração, mas para
restabeleçer o equilíbrio!!!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

o jogo

me ocorreu de estar participando,
sem o necessário consentimento,
de um jogo estúpido e perigoso...
cujas regras, sempre transitórias,
mudam a cada rodada...
melhor que não existissem (as regras)!!

aqueles que outrora deveriam estar ao seu lado
não estão, os que parecem não estar
com certeza não estão
e os que não teriam motivos para estar
talvez estejam

é a loteria da babilônia

domingo, 15 de fevereiro de 2009

meu coração e meu passo andam em círculos atrás do seu rastro

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

iaia

Iaiá, se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade
Pois é que assim um dia eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei...


Depois de ter vivido o óbvio utópico,
te beijar, e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural...
Eu fui pra aí te ver, te dizer:


Deixa ser, como será!
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar...
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar...


De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã
Fui saber tão longe,
mesmo você viu antes de mim
que eu te olhando via uma outra mulher
E agora o que sobrou?
- Um filme no close pro fim


Num retrato-falado eu fichado,
exposto em diagnóstico
Especialistas analisam e sentenciam: oh não!


Deixa ser como será!
Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Do fundo do meu coração (Roberto e Erasmo)

Eu, cada vez que vi você chegar
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido eu disse: nunca mais
Mas novamente estúpido provei
Desse doce amargo, quando eu sei
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Eu vi o meu amor tratado assim
Mas basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim

Eu, toda vez que vi você voltar
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim...

1997

Mil novecentos e noventa e sete, novembro ainda me lembro
Era fim de ano, eu não tinha nada e você um novo emprego
Foi quando tudo aconteceu
A vida era difícil, mas juntos tudo estava bem
Algumas brigas, claro, mas isso é tão normal quando se quer alguém
Como eu quis você
Eu quis matar todos seus amigos, falsos e fingidos, que sorriam ao me ver
E encontrava companhia, num copo de bebida, um cigarro ou outra droga qualquer
Já que eu não tinha mais você
Reaprender o caminho pra casa não foi algo tão simples
Nos primeiros dias eu me perdia nos meus passos sem você
Eu mal sabia o que fazer
De vez em quando a gente se encontrava nas escadas
Eu tentava dizer algo e você sempre dava risada
Tudo vai acabar bem
Quase 10 anos depois,
eu consigo entender, que eu tinha que continua fosse com ou sem você.
Não sei como cheguei aqui
mais saiba que eu estou feliz...
A sua falta quase me matou hoje eu tenho tudo oque eu sempre quiz!

Quo Vadis?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

mais uma de amor

se formos conhecer o amor pelos seus efeitos, alguém dizia, ele se assemelharia mais ao ódio do que à amizade...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

eros e psique

Quanto mais avanço no meu projeto, de fazer justiça
mais se me confundem os sentimentos
como Eros, que ao invés de fazer com que Psique,
se apaixonasse pelo mais vil dos homens,
acaba sendo flechado por si mesmo
e por ela se apaixona, deixando de cumprir
o intendo vingativo que Afrodite lhe encomendara.

::

Já não sei o que sinto,
já não sei quem sou...
só sei q ta foda...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

o conde de monte cristo

tudo pesado e medido,
inicio hoje minha jornada...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

"Une amitié peut naître sur la terre la plus aride et la plus improbable." (Maeve Binchy)

A citação me fez lembrar um poema de Carlos Drummond de Andrade, que se referia a uma flor, que furava o asfalto, o nojo e o tédio. Era feia, mas era uma flor.
Resiliência, prêmio, castigo? A flor furou o asfalto... brotou no mais improvável dos terrenos... como a amizade que nasceu em terreno árido.
Me pergunto, pode prosperar algo assim? Talvez esteja sendo demasiado chauvinista liberal, pensar em prosperidade, diante do milagre da flor que brotou no asfalto...
E os frutos?
São realmente necessários os frutos?
venceu o ódio...
brotou no asfalto...
era, apesar de feia, ainda assim, uma flor...

fim

Reconhecer a hora de terminar um assunto é uma das mais inegáveis virtudes que podem ser atribuídas a um homem. E isso se assemelha com a virtude de saber a hora de terminar uma história.
O ponto final é sem graça, não gosto dele! Sempre preferi as reticências, porque abrem uma infinidade de possibilidades ao escritor, ao interlocutor, e a própria história.
Mas o fim é inevitável...
e doloroso, diga-se...
Muito mais doloroso para quem irresolutamente chegou a decisão irrevogável sobre o fim do que para aqueles que queriam outro final... ou que não tivesse fim a fantasia, o delírio e a quimera.
::
Quem me conhece, alguns poucos, sabe como eu tenho problema com finalizações... embora reconheça o momento, meus finais nunca são amenos. São trágicos, são tensos, são, como no fim eu próprio sou, intensos.
Um fim intenso, é isso! Pra terminar, tem que terminar de vez... senão... não termina nunca.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A fábrica do poema

Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra,
tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.
Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?

A. Calcanhoto

domingo, 25 de janeiro de 2009

closer

perdi a distância segura e necessária
quer deveria manter ao perserguir os meus sonhos.
me acheguei perto demais
e de perto, não há encantamento que persista

a realidade se impõe, violenta e tirana
não há o que fazer...
louco ou lúcido já não sei,
eu olhei de perto demais

horizontes

gostaria que tivessemos contemplado os mesmos horizontes
os infinitos horizontes que se descortinavam novos todos os dias,
quando olhávamos juntos, na mesma direção, não víamos as mesmas coisas
cada um no seu universo a contemplar o lhe aprazia
e apesar de fisicamente juntos, separados por uma distância intransponível
e os horizontes embora parecessem os mesmos ao observador distraído
eram infinitos não pela extensão, mas pela multiplicidade
e seguimos, eu solitário, e meu alterego a viver na fantasia
distanciamo-nos...

sábado, 24 de janeiro de 2009

chove

os dias foram cinzentos
o céus anunciavam a chuva intensa
que lavaria os campos e as almas
e tudo foi como tinha que ser
a chuva escondia as lágrimas
que escorriam pelo rosto cansado
e apesar da falta de clareza
que lhe impunha a circunstância
viu pela primeira vez
de forma diáfana
as verdades que seu coração escondia
e soube ali, o que no íntimo suspeitara
que errara...

todavia, qual cavaleiro errante,
num quixotesco gesto, levou a fio e a cabo
o havia prometido aos deuses,
mesmo percebendo que de nada valeria seu
último sacrifício...
a chuva levou consigo o amante
deixando em sua ausência profunda
o silêncio eloquente dos que se foram de forma precária
também levou consigo as esperanças, e os restos de certeza...


::
mais uma marca indelével na alma
daquelas doloridas marcas impressas pela verdade
de ter defendido em vão
(mas por amor)
mais uma causa perdida

pobreza

eu me peguei pensando sobre a pobreza, sobre sua natureza, sobre seus graus de intensidade, e sobre as pobrezas metafóricas... essas me deteram um pouco mais.
a pior delas é a de carinho... e o maior pobre é aquele que tem que mendigar por toque, por atenção, por um beijo...
é aquele que se humilha, e percebendo-se maltrapilho, roto e não amado
se rasteja, e implora e espera...

sábado, 17 de janeiro de 2009

amor quase perfeito

amor perfeito,
amor quase perfeito,
paixão que cobre o peito...
desejo e volúpia
quando os corpos se encontram
e de dois, apenas um resta
e as carnes se confundem
e já não há duas almas,
mas apenas uma, amante
ai, perfeito o amor.
quando os corpos se separam
e a distância oblitera eu amante
a carne doi, o peito aperta
e a alma se aniquila...
o amor deixa de ser perfeito
e chega o inverno!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

coração vagabundo

meu coração vagabundo, quer guardar o mundo em si...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Exorcizo te, omnis spiritus immunde, in nomine Dei
Patris omnipotentis, et in noimine Jesu Christi Filii ejus, Domini et Judicis nostri, et in virtute Spiritus
Sancti, ut descedas ab hoc plasmate Dei,
quod Dominus noster ad templum sanctum suum vocare dignatus est, ut fiat templum
Dei vivi, et Spiritus Sanctus habitet in eo.
Per eumdem Christum Dominum nostrum, qui venturus est judicare vivos et mortuos, et saeculum per ignem.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

temperança

a temperança é a mãe das virtudes, e não deve ser confundida com justa medida, o tempero as vezes deve ser mais forte ou mais fraco, ou sequer existir... destempero ocasionalmente também é virtude.

...


o mais importante, se é que existe algo mais importante, é não desistir jamais... e não ter medo de errar, sempre!!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

a casinha azul

o meu sonho não sonhado,
mas o sonho por mim querido
é aquele que tua boca inocente
(e desdenhante) anunciava
porque me disseste?
será que me mentiste?
uma certeza eu tenho, ainda que vacilante,
que esperava com o anuncio a minha felicidade
e conseguiste...

ai se sesse

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse
de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse
te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E cum tu eu insistisse
pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse
e as virgi toda fugisse!!!

zé da luz
a indiferença e a frieza são capazes de fazer murchar a mais fina flor, e
embora doam como estocadas na alma, são incapazes de acabar com o amor...
o amor, esse imortal, alimenta-se de impossíveis!

sábado, 3 de janeiro de 2009

o dono da história

quisera eu ser o dono da história,
pra contá-la do meu jeito,
não seria objetivamente outra história
mas seria mais dramática, certamente.

seria uma história em que os erros e acertos
fazem parte de um grande concerto
e as personagens enredadas
se completando ou não,
interferem na história contada

a única história diferente seria a minha
e voltaria atrás no meu maior erro
o de ter nascido.