posso até chorar
mas a alegria vem de manhã
...
meus olhos vão pelo impossível acontecer
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
dedicatória
estou profundamente angustiado por não saber a quem dedicar o meu livro...
talvez esse seja o pior dilema do autor, dedicar? dedicar a quem?
a etimologia do verbo dedicar é muito interessante, pode significar ao mesmo tempo destinar e consagrar, por sob a proteção de alguém, ou ainda entregar e aperfeiçoar (considerado em sua forma reflexa)
a polissemia do dedicar faz com que a dedicatória se torne uma tarefa absolutamente complexa e desgastante.
se tivesse uma pessoa a quem dedicá-lo talvez fosse mais fácil, pensaria em algo que tivesse sentido para a subjetividade dedicada e que não destruísse o constructo do livro...
se houvesse uma instituição a qual dedicar o fruto do meu trabalho igualmente fá-lo-ia sem maior dificuldade...
não há...
dedicar pra que?
talvez esse seja o pior dilema do autor, dedicar? dedicar a quem?
a etimologia do verbo dedicar é muito interessante, pode significar ao mesmo tempo destinar e consagrar, por sob a proteção de alguém, ou ainda entregar e aperfeiçoar (considerado em sua forma reflexa)
a polissemia do dedicar faz com que a dedicatória se torne uma tarefa absolutamente complexa e desgastante.
se tivesse uma pessoa a quem dedicá-lo talvez fosse mais fácil, pensaria em algo que tivesse sentido para a subjetividade dedicada e que não destruísse o constructo do livro...
se houvesse uma instituição a qual dedicar o fruto do meu trabalho igualmente fá-lo-ia sem maior dificuldade...
não há...
dedicar pra que?
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
mística da imanência
sempre tive muito interesse em entender a mística... não do ponto de vista religioso, mas filosófico ou antropológico.
percebi, vivendo, que a transcendência, a "queda para o alto", o encontro com o outro, enfim, só é possível com a experiência da negação, da privação absoluta e do nada.
a negação de si leva ao encontro do outro.
a privação absoluta movimenta a alma para uma experiência singular do todo.
e tenho suspeitado de que o nada não provoca a náusea sartreana, mas liberta o homem para a uma vida plena e para a experiência de tudo.
::
ainda me intrigo como alguns homens absolutamente são impossibilitados da experiência mística de transcender a si e encontrar-se com o outro.
como alguns homens decididamente não conseguem sentir empatia.
a mística conduz a um amor profundo pela humanidade, e essa é a natureza de toda empatia.
sofrer com o outro, o sofrimento do outro, identificar-se profundamente com a dor alheia, não negá-la e conduzir o outro à redenção talvez seja aquilo que faz o homem capaz da mística... uma mística da imanência...
percebi, vivendo, que a transcendência, a "queda para o alto", o encontro com o outro, enfim, só é possível com a experiência da negação, da privação absoluta e do nada.
a negação de si leva ao encontro do outro.
a privação absoluta movimenta a alma para uma experiência singular do todo.
e tenho suspeitado de que o nada não provoca a náusea sartreana, mas liberta o homem para a uma vida plena e para a experiência de tudo.
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ainda me intrigo como alguns homens absolutamente são impossibilitados da experiência mística de transcender a si e encontrar-se com o outro.
como alguns homens decididamente não conseguem sentir empatia.
a mística conduz a um amor profundo pela humanidade, e essa é a natureza de toda empatia.
sofrer com o outro, o sofrimento do outro, identificar-se profundamente com a dor alheia, não negá-la e conduzir o outro à redenção talvez seja aquilo que faz o homem capaz da mística... uma mística da imanência...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
sobre todas as coisas II
o que mais me entristesse é que eu não tenho nada meu, que não teria te entregue de bom grado, se me tivesse pedido com gentileza e verdade...
saber que nunca entendeu o tamanho do carinho que eu tinha por você...
me angustia, mais ainda, que você tenha mentido pra mim, alimentado meus sonhos de amizade, e covardemente brincado com meus sentimentos.
duas vezes traído, e em tão pouco tempo!!
nem seus amigos mais próximos suportaram a leviandade de sua conduta.
meu caráter não é inclinado à vingança, talvez esta seja sua sorte, não espere, contudo, minha mão ou meu respeito...
espero, de verdade, que o seu sonho rubio não se desfaça por conta de sua vilania e maldade.
espero, ainda mais uma coisa, que o tempo te dê caráter.
saber que nunca entendeu o tamanho do carinho que eu tinha por você...
me angustia, mais ainda, que você tenha mentido pra mim, alimentado meus sonhos de amizade, e covardemente brincado com meus sentimentos.
duas vezes traído, e em tão pouco tempo!!
nem seus amigos mais próximos suportaram a leviandade de sua conduta.
meu caráter não é inclinado à vingança, talvez esta seja sua sorte, não espere, contudo, minha mão ou meu respeito...
espero, de verdade, que o seu sonho rubio não se desfaça por conta de sua vilania e maldade.
espero, ainda mais uma coisa, que o tempo te dê caráter.
sobre todas as coisas
Diz a música que não há no mundo quem possa condenar alguém que a um outro alguém deixou de amar...
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
o tempo
eu esperei o tempo falar por mim
todas as coisas que minha cabeça confusa
e minha linguagem atrapalhada
não poderiam dizer adequadamente
e você de inopino apareceu,
conversamos, rimos muito, e embalados pelo vinho
(que apenas eu havia tomado por nós dois)
nos entregamos um ao outro
um abraço cheio de saudade interrompeu os meses de silêncio
e um beijo aconteceu... um beijo doce e tímido
não era o beijo dos amantes, nem era um beijo dos amigos
éramos como adolescentes que se amam desde a mais tenra infância
e tinham um universo para descortinar e descobrir
::
Ainda me lembro de um bilhete singelo que deixei na capa de um livro,
nele eu dizia solene que você era meu "anime custus", você ficou silente sem entender
e apesar de não ter perguntado o que significaria tal inscrição, me pus, como d'outra forma
não haveria de ser, a te explicar, aquilo que eu também não conseguia entender.
Dizia um medievalista que a palavra "amigo" seria derivada de "anime custos", que é bom português significa custódio da alma.
Dizia, que a minha opção pelo latim, talvez por conta da minha formação, queria materializar a densidade absoluta do que você significava, desde aquele momento, pra mim. A imagem de entregar a outrem a própria alma, para que ele a custodie é imensamente rica, como se estabelecesse uma servidão voluntária, ou uma doação perene do próprio ser do doador ao donatário.
E entre amizade e amor não existe diferença. Os dois sentimentos são como que um cativeiro sem grades, sem bedéis e sem juízes... o que nos mantém presos, e por vezes imóveis, são lembranças, cheiros, olhares e ecos...
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todas as coisas que minha cabeça confusa
e minha linguagem atrapalhada
não poderiam dizer adequadamente
e você de inopino apareceu,
conversamos, rimos muito, e embalados pelo vinho
(que apenas eu havia tomado por nós dois)
nos entregamos um ao outro
um abraço cheio de saudade interrompeu os meses de silêncio
e um beijo aconteceu... um beijo doce e tímido
não era o beijo dos amantes, nem era um beijo dos amigos
éramos como adolescentes que se amam desde a mais tenra infância
e tinham um universo para descortinar e descobrir
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Ainda me lembro de um bilhete singelo que deixei na capa de um livro,
nele eu dizia solene que você era meu "anime custus", você ficou silente sem entender
e apesar de não ter perguntado o que significaria tal inscrição, me pus, como d'outra forma
não haveria de ser, a te explicar, aquilo que eu também não conseguia entender.
Dizia um medievalista que a palavra "amigo" seria derivada de "anime custos", que é bom português significa custódio da alma.
Dizia, que a minha opção pelo latim, talvez por conta da minha formação, queria materializar a densidade absoluta do que você significava, desde aquele momento, pra mim. A imagem de entregar a outrem a própria alma, para que ele a custodie é imensamente rica, como se estabelecesse uma servidão voluntária, ou uma doação perene do próprio ser do doador ao donatário.
E entre amizade e amor não existe diferença. Os dois sentimentos são como que um cativeiro sem grades, sem bedéis e sem juízes... o que nos mantém presos, e por vezes imóveis, são lembranças, cheiros, olhares e ecos...
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