eu quero muito
muitíssimo estar enganado
e que esse peito embargado
anunciando o erro e o engano
denuncie apenas o escaldo
de quem se cansou de acreditar
e que no fim, deveras real,
o sonho não se desapareça com o delírio
para que obliterado o meu profundo desejo
(de estar errado quanto ao erro)
justifique minha esperança
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
poema dos olhos da amada
Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
V. de Morais
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Por excesso de escrúpulos, muita gente deixa de fazer o que pode. Em troca de algumas convenções, de preservação de uma imagem montada e de esquemas pré-construídos, muita gente renuncia à própria originalidade, e aceita vidas de papel, com almas de plástico, prontas para serem consumidas ou substituídas, como folhas ao vento.A criatividade não é prerrogativa de gênios: é atributo indissociável à condição humana. Se hoje você não vive o que sente ser, provoca-se a maior das desgraças para si: a morte da própria alma, de sua vitalidade, de sua razão para viver.Siga suas vozes interiores, naquilo que lhe sussurram sobre felicidade, amor e ideal. Sem a conquista do universo interior, nunca poderá haver qualquer conquista externa verdadeiramente satisfatória e duradoura.
alguém disse que foi de Temístocles, mas eu duvido... de qq forma é um bom pensamento.
alguém disse que foi de Temístocles, mas eu duvido... de qq forma é um bom pensamento.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
fernando pessoa
Nesta vida que sou meu sono, eu não sou meu dono, quem sou é quem ignoro e que vive através dessa névoa que sou eu. Todas as vidas que outrora tive numa só vida, mar sou, baixo marulho ao alto rujo. Mas minha cor vem do meu alto céu, só me encontro quando de mim fujo...
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
domingo, 9 de novembro de 2008
sábado, 8 de novembro de 2008
vida tirana
eu pensei que podia sonhar... e quando tirei os pés do chão me doeu a marca indelével na fronte, me lembrando que, qual Caim, condenado, não posso conhar.
teria amado pra sempre quem apareceu sem dizer "porquês", mas entendendo o que eu queria me fez feliz, ainda que por pouco.
mas não pude... volto recoleto ao cláustro, de onde não deveria ter saído, em sonho.
teria amado pra sempre quem apareceu sem dizer "porquês", mas entendendo o que eu queria me fez feliz, ainda que por pouco.
mas não pude... volto recoleto ao cláustro, de onde não deveria ter saído, em sonho.
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