tudo pesado e medido,
inicio hoje minha jornada...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
"Une amitié peut naître sur la terre la plus aride et la plus improbable." (Maeve Binchy)
A citação me fez lembrar um poema de Carlos Drummond de Andrade, que se referia a uma flor, que furava o asfalto, o nojo e o tédio. Era feia, mas era uma flor.
Resiliência, prêmio, castigo? A flor furou o asfalto... brotou no mais improvável dos terrenos... como a amizade que nasceu em terreno árido.
Me pergunto, pode prosperar algo assim? Talvez esteja sendo demasiado chauvinista liberal, pensar em prosperidade, diante do milagre da flor que brotou no asfalto...
E os frutos?
São realmente necessários os frutos?
venceu o ódio...
brotou no asfalto...
era, apesar de feia, ainda assim, uma flor...
A citação me fez lembrar um poema de Carlos Drummond de Andrade, que se referia a uma flor, que furava o asfalto, o nojo e o tédio. Era feia, mas era uma flor.
Resiliência, prêmio, castigo? A flor furou o asfalto... brotou no mais improvável dos terrenos... como a amizade que nasceu em terreno árido.
Me pergunto, pode prosperar algo assim? Talvez esteja sendo demasiado chauvinista liberal, pensar em prosperidade, diante do milagre da flor que brotou no asfalto...
E os frutos?
São realmente necessários os frutos?
venceu o ódio...
brotou no asfalto...
era, apesar de feia, ainda assim, uma flor...
fim
Reconhecer a hora de terminar um assunto é uma das mais inegáveis virtudes que podem ser atribuídas a um homem. E isso se assemelha com a virtude de saber a hora de terminar uma história.
O ponto final é sem graça, não gosto dele! Sempre preferi as reticências, porque abrem uma infinidade de possibilidades ao escritor, ao interlocutor, e a própria história.
Mas o fim é inevitável...
e doloroso, diga-se...
Muito mais doloroso para quem irresolutamente chegou a decisão irrevogável sobre o fim do que para aqueles que queriam outro final... ou que não tivesse fim a fantasia, o delírio e a quimera.
::
Quem me conhece, alguns poucos, sabe como eu tenho problema com finalizações... embora reconheça o momento, meus finais nunca são amenos. São trágicos, são tensos, são, como no fim eu próprio sou, intensos.
Um fim intenso, é isso! Pra terminar, tem que terminar de vez... senão... não termina nunca.
O ponto final é sem graça, não gosto dele! Sempre preferi as reticências, porque abrem uma infinidade de possibilidades ao escritor, ao interlocutor, e a própria história.
Mas o fim é inevitável...
e doloroso, diga-se...
Muito mais doloroso para quem irresolutamente chegou a decisão irrevogável sobre o fim do que para aqueles que queriam outro final... ou que não tivesse fim a fantasia, o delírio e a quimera.
::
Quem me conhece, alguns poucos, sabe como eu tenho problema com finalizações... embora reconheça o momento, meus finais nunca são amenos. São trágicos, são tensos, são, como no fim eu próprio sou, intensos.
Um fim intenso, é isso! Pra terminar, tem que terminar de vez... senão... não termina nunca.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
A fábrica do poema
Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra,
tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.
Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra,
tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.
Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
A. Calcanhoto
domingo, 25 de janeiro de 2009
closer
perdi a distância segura e necessária
quer deveria manter ao perserguir os meus sonhos.
me acheguei perto demais
e de perto, não há encantamento que persista
a realidade se impõe, violenta e tirana
não há o que fazer...
louco ou lúcido já não sei,
eu olhei de perto demais
quer deveria manter ao perserguir os meus sonhos.
me acheguei perto demais
e de perto, não há encantamento que persista
a realidade se impõe, violenta e tirana
não há o que fazer...
louco ou lúcido já não sei,
eu olhei de perto demais
horizontes
gostaria que tivessemos contemplado os mesmos horizontes
os infinitos horizontes que se descortinavam novos todos os dias,
quando olhávamos juntos, na mesma direção, não víamos as mesmas coisas
cada um no seu universo a contemplar o lhe aprazia
e apesar de fisicamente juntos, separados por uma distância intransponível
e os horizontes embora parecessem os mesmos ao observador distraído
eram infinitos não pela extensão, mas pela multiplicidade
e seguimos, eu solitário, e meu alterego a viver na fantasia
distanciamo-nos...
os infinitos horizontes que se descortinavam novos todos os dias,
quando olhávamos juntos, na mesma direção, não víamos as mesmas coisas
cada um no seu universo a contemplar o lhe aprazia
e apesar de fisicamente juntos, separados por uma distância intransponível
e os horizontes embora parecessem os mesmos ao observador distraído
eram infinitos não pela extensão, mas pela multiplicidade
e seguimos, eu solitário, e meu alterego a viver na fantasia
distanciamo-nos...
sábado, 24 de janeiro de 2009
chove
os dias foram cinzentos
o céus anunciavam a chuva intensa
que lavaria os campos e as almas
e tudo foi como tinha que ser
a chuva escondia as lágrimas
que escorriam pelo rosto cansado
e apesar da falta de clareza
que lhe impunha a circunstância
viu pela primeira vez
de forma diáfana
as verdades que seu coração escondia
e soube ali, o que no íntimo suspeitara
que errara...
todavia, qual cavaleiro errante,
num quixotesco gesto, levou a fio e a cabo
o havia prometido aos deuses,
mesmo percebendo que de nada valeria seu
último sacrifício...
a chuva levou consigo o amante
deixando em sua ausência profunda
o silêncio eloquente dos que se foram de forma precária
também levou consigo as esperanças, e os restos de certeza...
::
mais uma marca indelével na alma
daquelas doloridas marcas impressas pela verdade
de ter defendido em vão
(mas por amor)
mais uma causa perdida
o céus anunciavam a chuva intensa
que lavaria os campos e as almas
e tudo foi como tinha que ser
a chuva escondia as lágrimas
que escorriam pelo rosto cansado
e apesar da falta de clareza
que lhe impunha a circunstância
viu pela primeira vez
de forma diáfana
as verdades que seu coração escondia
e soube ali, o que no íntimo suspeitara
que errara...
todavia, qual cavaleiro errante,
num quixotesco gesto, levou a fio e a cabo
o havia prometido aos deuses,
mesmo percebendo que de nada valeria seu
último sacrifício...
a chuva levou consigo o amante
deixando em sua ausência profunda
o silêncio eloquente dos que se foram de forma precária
também levou consigo as esperanças, e os restos de certeza...
::
mais uma marca indelével na alma
daquelas doloridas marcas impressas pela verdade
de ter defendido em vão
(mas por amor)
mais uma causa perdida
pobreza
eu me peguei pensando sobre a pobreza, sobre sua natureza, sobre seus graus de intensidade, e sobre as pobrezas metafóricas... essas me deteram um pouco mais.
a pior delas é a de carinho... e o maior pobre é aquele que tem que mendigar por toque, por atenção, por um beijo...
é aquele que se humilha, e percebendo-se maltrapilho, roto e não amado
se rasteja, e implora e espera...
sábado, 17 de janeiro de 2009
amor quase perfeito
amor perfeito,
amor quase perfeito,
paixão que cobre o peito...
desejo e volúpia
quando os corpos se encontram
e de dois, apenas um resta
e as carnes se confundem
e já não há duas almas,
mas apenas uma, amante
ai, perfeito o amor.
quando os corpos se separam
e a distância oblitera eu amante
a carne doi, o peito aperta
e a alma se aniquila...
o amor deixa de ser perfeito
e chega o inverno!
amor quase perfeito,
paixão que cobre o peito...
desejo e volúpia
quando os corpos se encontram
e de dois, apenas um resta
e as carnes se confundem
e já não há duas almas,
mas apenas uma, amante
ai, perfeito o amor.
quando os corpos se separam
e a distância oblitera eu amante
a carne doi, o peito aperta
e a alma se aniquila...
o amor deixa de ser perfeito
e chega o inverno!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Exorcizo te, omnis spiritus immunde, in nomine Dei
Patris omnipotentis, et in noimine Jesu Christi Filii ejus, Domini et Judicis nostri, et in virtute Spiritus
Sancti, ut descedas ab hoc plasmate Dei,
quod Dominus noster ad templum sanctum suum vocare dignatus est, ut fiat templum
Dei vivi, et Spiritus Sanctus habitet in eo.
Per eumdem Christum Dominum nostrum, qui venturus est judicare vivos et mortuos, et saeculum per ignem.
Patris omnipotentis, et in noimine Jesu Christi Filii ejus, Domini et Judicis nostri, et in virtute Spiritus
Sancti, ut descedas ab hoc plasmate Dei,
quod Dominus noster ad templum sanctum suum vocare dignatus est, ut fiat templum
Dei vivi, et Spiritus Sanctus habitet in eo.
Per eumdem Christum Dominum nostrum, qui venturus est judicare vivos et mortuos, et saeculum per ignem.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
temperança
a temperança é a mãe das virtudes, e não deve ser confundida com justa medida, o tempero as vezes deve ser mais forte ou mais fraco, ou sequer existir... destempero ocasionalmente também é virtude.
...
o mais importante, se é que existe algo mais importante, é não desistir jamais... e não ter medo de errar, sempre!!
...
o mais importante, se é que existe algo mais importante, é não desistir jamais... e não ter medo de errar, sempre!!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
a casinha azul
o meu sonho não sonhado,
mas o sonho por mim querido
é aquele que tua boca inocente
(e desdenhante) anunciava
porque me disseste?
será que me mentiste?
uma certeza eu tenho, ainda que vacilante,
que esperava com o anuncio a minha felicidade
e conseguiste...
mas o sonho por mim querido
é aquele que tua boca inocente
(e desdenhante) anunciava
porque me disseste?
será que me mentiste?
uma certeza eu tenho, ainda que vacilante,
que esperava com o anuncio a minha felicidade
e conseguiste...
ai se sesse
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse
de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse
te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E cum tu eu insistisse
pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse
e as virgi toda fugisse!!!
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse
de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse
te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E cum tu eu insistisse
pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse
e as virgi toda fugisse!!!
zé da luz
sábado, 3 de janeiro de 2009
o dono da história
quisera eu ser o dono da história,
pra contá-la do meu jeito,
não seria objetivamente outra história
mas seria mais dramática, certamente.
seria uma história em que os erros e acertos
fazem parte de um grande concerto
e as personagens enredadas
se completando ou não,
interferem na história contada
a única história diferente seria a minha
e voltaria atrás no meu maior erro
o de ter nascido.
pra contá-la do meu jeito,
não seria objetivamente outra história
mas seria mais dramática, certamente.
seria uma história em que os erros e acertos
fazem parte de um grande concerto
e as personagens enredadas
se completando ou não,
interferem na história contada
a única história diferente seria a minha
e voltaria atrás no meu maior erro
o de ter nascido.
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