segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

praquela q sempre vai me acompanhar....

...

larga tudo e vem correndo


...


sdd

fui amar a lua

Fui amar a lua altaneira e láurea, cheia de beleza e fases...
e nos desencontramos, ela soberana e brilhante,
eu amante solitário, a contemplar sua beleza distante
e a chorar as argruras de não poder tocá-la...

ela, quando cheia, é maior que o sol
até sou capaz de refletir sua beleza,
ah, mas quando míngua,
míngua também minha alegria
e o que é belo se faz triste e errante

me disseram que o tempo mudaria as coisas
mentiram-me!!
seria o tempo um deus, capaz de me fazer de novo?
e de mudar o que eu sinto?

o meu amor não passa com o tempo, porque é meu
ainda que seja apenas tenra lembrança,
permanecera vivo em mim, já quase morto,
o sentimento sublime e verdadeiro pela lua
distante, láurea e altaneira

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

les nuits trop sombres peuvent nous faire voir plus clairement les etoiles



by my

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

sobre a obliteração do eu

Não se ama só, e me desculpem os eruditos o amor jamais poderia ser um verbo intransitivo. Isso porque o amor é um impulso transcendental.
Sempre me intrigou o fato de Eros em suas representações clássicas aparecer armado... O arqueiro tem um escopo precípuo: assassinar o "eu". Enquando existe o "eu" não existe amor.
Amar é esvaziar-se de si, para que o outro tenha espaço, e como que numa dialética divina, que termina sim com o desejo absurdo que corpos distintos se confundam, os "eus" se desfazem em nós...
O eu é estéril, "nós" não... e esse agenciamento, essa subjetividade genuinamente nova, que nasce do amor de dois, ou mais, é capaz de vencer a morte.
os bloqueadores de recaptação de serotonina destruiram minha capacidade de escrever....
se algum leitor (a marília) se sentir lesado... favor reclamar com meu terapeuta hahuahua

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

não tenho negociado muito bem com meus interditores
a ausência de mediações tem me levado a beira da loucura
preciso encontrar um sentido produtivo pra isso tudo
ou ainda produzir um sentido pra tudo isso
"Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele." (CFA)

domingo, 21 de dezembro de 2008

sobre todas as coisas

tenho perdido peso e dignidade
deve ser reflexo de minha última pantomima
decorrente do mal hábito de construir cenários
de encenar teatros do absurdo e viver histórias
só minhas...

...

A providência não foi generosa com o homem
ao distribuir-lhe suas defesas e poderes naturais
se pudesse o teria matado com o olhar
ou obliterado sua existência apenas pelo pensamento

...

minha vida anda igual a bolsa de valores
meu homor oscila
meus investimentos não tem retorno
quase todo dia eu fecho no prejuízo
ta na hora de aplicar o resto do capital em algo mais seguro

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

somam-se me os dias...
e já não vivo
espero encontrar-te
sem esperança

e me pergunto:
o que devo fazer para merecer o teu olhar?

de migualhas
do que sobra de tua mesa
eu construo meu banquete
mas não me farto

invoco a Cronos, pai injusto da justiça,
senhor de todos os destinos
que corrija o incorrigível
e que faça nascer no coração de quem amo
o amor que quase já não sinto

e as Erínias, espero que de mim se afastem
...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

meia paráfrase

O meu encanto é por sua juventude leda, pela sua felicidade pensativa, pelo não conhecer-vos, o seu jeito de me olhar quando te olho, é por não me amar como te amo, é por não lembrando me prenderes qual a um feitiço cuja ciência não domino.
Quando te vejo contemplo o que perdi: a mocidade, a liberdade e a leveza na alma.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

eu teria te amado pra sempre...

sobre narciso

Sartre afirmou que "o inferno sãos ou outros", eu fico pensando que teria acontecido com Narciso. E cheguei a duas hipóteses. Uma, talvez mais vulgar e mais óbvia, e outra certamente inusitada e absurda.
O seu auto-encantamento possuia uma "causa sui", egoística, ele se amava num movimento solipsista e originariamente revolucionário, naquele antigo sentido, das coisas que tomam um curso pré-estabelecido pela natureza. E a natureza de Narciso não poderia voltar-se a outra coisa que não a si.
Poderia ocorrer ao inverso, que não se tratasse de um "auto-encantamento", mas de um desencanto com os outros. E a frase, citada e recitada de Sartre talvez ajude a resolver o problema.
O amor que Narciso tinha por si, encerrava no fundo um desamor pelos outros, não que ele fosse egoísta, mas ele sendo altruísta ao extremo, percebeu que o esvaziar-se de si para encontrar o outro muitas vezes pode encerrar a obliteração do eu e a morte. O arquétipo de Narciso se reproduziu em Cristo, e ousaria dizer que não é diferente do de Buda, nesse sentido próprio e não sei se original que acabei de sugerir.
Vou arriscar que Freud tenha errado ao afirmar a existência de sentimentos narcísicos... Tudo que ocorre com o homem decorre das múltiplas relações que tem com outros homens.
Inclusive o suicídio deve ser considerado, não num sentido durkheimiano, sempre altruísta. É sempre ao outro que ele se dirige, na tentativa de atingir uma indiferença implacável, um amor não correspondido, uma idéia quem sabe.
A morte de Narciso ao debruçar-se sobre si, talvez não deva ser encarada como o fim da existência, mas como um reencontro assassínio com um outro que vive em mim. Amando-se a si dessa forma, Narciso denuncia e profetiza como caminha a humanidade: sempre debruçando-se sobre si e se aniquilando.
Acho que escrevi muita bobagem num mesmo texto... devo estar precisando de férias

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

sobre eros e tanatos

me esforço pra compreender o amor, sentimentos não costumam ser traduzidos em palavras com alguma facilidade.
mas me arrisco a tentar esboçar algumas linhas sobre o amor, não como o poeta ou o profeta, mas talvez como um amante.
amar é deixar ser
quando se ama, se o faz não para fazer-se feliz, mas para fazer o outro feliz
o amor naturalmente transcende
oblitera e aniquila o eu
quem nunca se esvaziou de si, que nunca deixou de ser, jamais amou
por isso os gregos, sabiamente, nunca desvinculavam o amor da morte.

termo a quo

Existe um termo final... e se aproxima,
um termo que é indício e promessa de mudança
meu ateísmo performático me ensinou a não acreditar
que no fim vai tudo dar certo...
o que é certo quanto ao fim, é o fim e nada mais

mas o termo final não é o fim (ou é?)
é como se fosse um prazo fatal,
e pra usar a liguagem do processo que abomino
se os atos que devem ser praticados antes do termo
não o forem,
teremos uma preclusão temporal....

a vida é irrepetível...
então se a preclusão não for temporal,
certamente será lógica, ou alguma outra cujo nome não me recordo

o pior da minha tragédia pessoal é que
uma espécie de bacharelismo decadente
invadiu minha poesia (não menos decadente)

mas voltando a falar do fim
esperar a redenção não faz o meu tipo
também não sou dos grandes finais...
como nas tragédias ou nos dramas

por enquanto vou fazer suspense

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Um ensaio sobre o desespero

Acho que um dos primeiros livros que li quando estava no seminário, nas intermináveis noites que passava no escadario a conversar com as cachorras (duas pastoras alemãs), foi O desespero humano - doença até a morte de Kierkegaard.
Era bem apropriado pra quem vivia um dilema proto-religioso que distorcia a consciência-de-si e amplificava os dilemas morais provocados pela noção de pecado... O filósofo dinamarquês sugeria que entre o homem e Deus havia uma diverença abissal... e que a não consciência dessa diferença distorcia as relações do homem consigo mesmo, que se esquecia que além de caminhar para o morte, caminhava para a eternidade, como seu houvesse uma dupla finalidade na existência.
A morte não é um problema, na verdade é a solução da existência. A existência é problema. E o desespero humano - essa doença até a morte- nada mais é do que a angústia provocada pelo dilema shakespereano do ser e do não-ser.
A ausência de certezas quanto ao não-ser é que angustia. Arnauld afirmaria: "Antes de me suicidar exijo que me assegurem a respeito do ser, eu gostaria de estar seguro a respeito da morte".
As seguranças acerca da obliteração do ser são efêmeras, mais talvez, que aquelas que impõem a sua manutenção reacionária.
Viver é reacionário.

Olhos de Capitu

Se Machado os tivesse visto,
não seriam de Capitu os olhos...
seriam teus!

Eles, ainda me seduzem, mas
quase não me enganam mais
(essa autoafirmação insistente,
talvez seja o maior indício de que
decerto vivo no engodo do teu olhar)

quanta ambigüidade exibem
dizem tanto e não dizem nada

...

as palavras me faltam

tes yeux

Oh bien aimé,
quels yeux tes yeux
embarcadères, la nuit,
bruissant des milles adieux
des diges silencieuses,
qui gettent la lumièreloin,
si loin dans le noir
oh bien aimé,
quels yeux tes yeux
tous ces mystères dans tes yeux,
tous ces navires,
tous ces voiliers,
tous ces naufrages
dans tes yeux

domingo, 14 de dezembro de 2008

meus demônios

tenho passado muito tempo a sós com meus demônios...
eles não são nada simpáticos,
mas têm me ensinado a ver a vida com uma consciência superior
afinal de contas, eles são primos da alma (daimon)

não vou fugir dos meus medos
vou enfrentá-los, até que um de nós vença
seja eu, espero

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

sobre o amor e a amizade num sentido extramoral

eu sempre tive uma dúvida sobre qual dos sentimentos era o mais nobre, e quando me perdia em devaneios, a buscá-los, invariavelmente me deparava com dois: o amor e a amizade.
cheguei a uma constatação terrível, depois de ouvir um discurso, que a amizade é mais nobre que o amor, porque pode ser dividida... o amor é egoísta e ciumento!!
lembrei-me então de uma das definições possíveis de amizade. Dizem que na origem o amigo é o "anime custus", ou seja, o custódio da alma... aquele que tem a alma em cuidado ou em guarda.

Heathcliff

Ton regard comme une caresse

Je me sens si bien!

Puis tes yeux s´envolent et me laissent

Et je n´ai plus rien...

Qu' un reflet de toi

Tu es loin, déjà..

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

tarde de novembro

era uma tarde de novembro como foram tantas outras, melhores ou piores, mas essa em particular não esqueço... conversavamos regalados, e convencíamos da necessidade de nos vermos.
de pronto, nos encontramos, e como se todo o antes fosse apenas um ensaio, descortinou-se o desejo, e subtamente arrebatados fomos levados pelo encanto e pela vontade ao feliz encontro como havia de ser.
se pudesse voltar aquela tarde, mesmo sabendo quanta dor ela encerrava, voltaria...
não me arrependo de nada

mil perdões....

to esperando ainda o dia, em que eu vou ouvir, não da voz do Chico, a seguinte canção:

Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz

Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais

Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim

Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)

Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair

sobre a verdade e a mentira

custei a entender o que queria dizer o poeta ao afirmar categórico que a diferença do amor e da amizade, é que ela se acabava na mentira e ele na verdade.
o amor é a prisão do desejo, é uma espécie de cárcere do instinto... ele engessa tudo que é nobre e belo!!
só os fracos amam (ou invocam, sismam, recentem, não sei)
a verdade (qual delas?) a de que a vida nua não tem nada de beleza, liberta os espíritos embevecidos de vileza, e os liberta para ser somente
desejar somente
sentir só

quando Apólo (o malígno embusteiro) me afasta de Dionísio, sou levado ao delirío de acreditar que a dor tem recompensa no porvir, de que serei completo, de que o mal não vencerá jamais...
e quando me encontro às secretas com o amante bêbado, lembro que vida é miragem, que viver é passagem, e as verdades, várias, parciais, efêmeras, não passam de mentiras, sinceras, únicas, e duradouras...

mais do mesmo


um dia o amor perguntou ao ódio:
porque me odeia tanto?
ele respondeu
porque te amei demais...

Quanto a mim... o amor passou. Peço que não faça como a gente vulgar, que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras afeições, conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil ...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

marília

Je ne connais pas
Tous les secrets de ton coeur
Mais je viens quand même, tu vis
Quelque part entre douleur et douceur
Mais je viens quand même
Je te suis quand même
eu tenho sido inteiro,
não gosto de gente pela metade
o que me sonega injustamente
é o que falta pra minha felicidade

felicidade ao teu lado
não sem a metade negada
por ante você pelo meio
acabarei preferindo o nada


(vixi... rimas pobres... falta de inspiração... é isso aí... sou patético assim mesmo)
as vezes me sinto um personagem de um livro...
mas um personagem escritor...
e como se houvessem vários meta-relatos...
alguns escritos por mim,
outros escritos por outrem
outros rasurados ou por escrever
como um sonho dentro de sonho...

domingo, 7 de dezembro de 2008

eu te amo nao porque te amo
mas porque briosamente nao admito nao ser amado por ti
e quanto mais te odeio mais te rogo
e mais dependo de vc...

nao sei o q fazer
qro amar somente a ti....

silencia minh´alma
apassenta meu coração...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

...

tenho cada vez mais preferido os livros às pessoas... o trabalho ao lazer... o escritório ao bar... isso vai acabar mal

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

un miraggio

quando pela primeira vez avistei seus olhos timidos já sabia o que eles me diziam... só não sabia que me diziam nada.
não havia nada estabelecido além da intenção.
mesmo assim você era miragem, indecifrável miragem que me atraia para um destino fatal.
se eu soubesse onde meu coração iria se atracar talvez não fosse...
miragem

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

a flor que desabrocha na adversidade é a mais rara e a mais bela de todas!!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

eu quero muito
muitíssimo estar enganado
e que esse peito embargado
anunciando o erro e o engano
denuncie apenas o escaldo
de quem se cansou de acreditar
e que no fim, deveras real,
o sonho não se desapareça com o delírio
para que obliterado o meu profundo desejo
(de estar errado quanto ao erro)
justifique minha esperança

poema dos olhos da amada

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.



V. de Morais

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

eu caçador de mim...

sábado, 15 de novembro de 2008

eu não consigo ler o teu olhar
tu não me dizes quem tu és
e ainda assim eu te desejo.......

meu jeito portugues de entender o djavan
rsrs

mortal pelos temores, imortal pelos desejos

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Por excesso de escrúpulos, muita gente deixa de fazer o que pode. Em troca de algumas convenções, de preservação de uma imagem montada e de esquemas pré-construídos, muita gente renuncia à própria originalidade, e aceita vidas de papel, com almas de plástico, prontas para serem consumidas ou substituídas, como folhas ao vento.A criatividade não é prerrogativa de gênios: é atributo indissociável à condição humana. Se hoje você não vive o que sente ser, provoca-se a maior das desgraças para si: a morte da própria alma, de sua vitalidade, de sua razão para viver.Siga suas vozes interiores, naquilo que lhe sussurram sobre felicidade, amor e ideal. Sem a conquista do universo interior, nunca poderá haver qualquer conquista externa verdadeiramente satisfatória e duradoura.

alguém disse que foi de Temístocles, mas eu duvido... de qq forma é um bom pensamento.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

como contê-lo, o incontido?
como sabê-lo, o icógnito?
como segui-lo, o indomável?

no jogo do decifra-me ou devoro-te, perdi-me

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

fernando pessoa

Nesta vida que sou meu sono, eu não sou meu dono, quem sou é quem ignoro e que vive através dessa névoa que sou eu. Todas as vidas que outrora tive numa só vida, mar sou, baixo marulho ao alto rujo. Mas minha cor vem do meu alto céu, só me encontro quando de mim fujo...

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)
esses dias de intensa atividade por aqui indicam q algo me incomoda.... eu preciso escrever como alguém que fala em alta voz para ouvir claro aquilo que no coração é ilógico e sem sentido.

domingo, 9 de novembro de 2008

Mal por mal, prefiro o de Alzheimer ao de Parkinson. É melhor esquecer...

sábado, 8 de novembro de 2008

vida tirana

eu pensei que podia sonhar... e quando tirei os pés do chão me doeu a marca indelével na fronte, me lembrando que, qual Caim, condenado, não posso conhar.

teria amado pra sempre quem apareceu sem dizer "porquês", mas entendendo o que eu queria me fez feliz, ainda que por pouco.

mas não pude... volto recoleto ao cláustro, de onde não deveria ter saído, em sonho.
No fundo, acho que nunca gostei de gatos porque gostaria de ser gato também. Ou talvez porque, diferentemente dos ingênuos cachorros, os gatos são coléricos e sedutores. Quando você os chama eles não vêm. Eu sempre gostei de bicho que quando você chama, vem...

T.Calçado

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

exorcismo

ah! esse amor que não ouso dizer o nome,
que toma meu sonho e me leva ao delírio na vigilha,
de tão irreal me leva ao desespero
desigina-te!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

fase 1

eu fico pensando no q escrever...
e tem gnt q tem coragem de responder pra simples pergunta
que horas são?
são abacaxi quase uva...
e depois de tudo nao contente
ainda pergunta kd meu carro?...
qdo na verdade esta nele
se nao for possível amar,
com amor fraternal e sem tamanho
alguem assim,
quem será?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

eu não sou eu,
eu sou aquele que caminha ao meu lado...
quem quase vive já morreu...

domingo, 28 de setembro de 2008

"As palavras me antecedem e me ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se eu não tomo cuidado... Será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito..." Clarice Lispector

eutopia

minha eutopia é composta de paisagens superpostas, de supostos cenários onde não se encena apenas se vive... meus amigos não tem vergonha do afago e do ósculo... e os meus amores atendem telefones... ah minha eutopia...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

a amizade é um amor que nunca morre...




M.Q.

domingo, 14 de setembro de 2008

a amizade se acaba na mentira, o amor na verdade...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

mais uma de amor

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver...

O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

dom quixote (E.H)

Muito prazer, meu nome é otário

Vindo de outros tempos mas sempre no horário

peixe fora d'água, borboletas no aquário

Muito prazer, meu nome é otário

na ponta dos cascos e fora do páreo

puro sangue, puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro

aerodinâmica num tanque de guerra,

vaidades que a terra um dia há de comer.

"Ás" de Espadas fora do baralho

grandes negócios, pequeno empresário.

Muito prazer me chamam de otário

por amor às causas perdidas.

Tudo bem, até pode ser

que os dragões sejam moinhos de vento

Tudo bem, seja o que for

seja por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas

tudo bem...até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento

muito prazer...ao seu dispor

Se for por amor às causas perdidas

por amor às causas perdidas

domingo, 31 de agosto de 2008

Ska (Herbert Vianna)

A vida não é filme
Você não entendeu
Ninguém foi ao seu quarto
quando escureceu
Saber o que passava
no seu coração
Se o que você fazia
era certo ou não

E a mocinha se perdeu
olhando o sol se pôr
Que final romântico
Morrer de amor
Relembrando da janela
tudo o que viveu
Fingindo não ver
os erros que cometeu

E assim tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí? Nada mais...
A vida não é filme
Você não entendeu
De todos os seus sonhos
não restou nenhum
Ninguém foi ao seu quarto
quando escureceu
E só você não viu,
Não era filme algum...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"O fato é que tenho nas minhas mãos um destino e, no entanto, não me sinto com o poder de livremente inventar. Sigo uma oculta linha fatal.Sou obrigado a procurar uma verdade que me ultrapassa."

Clarice Lispector

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

quem pagará o enterro e as flores quando eu morrer de amores?
beautiful disaster

sábado, 16 de agosto de 2008

o problema da solidao é não se sentir pertencente a nada e a ninguém.... é uma experiência invulgar de liberdade e angústia ao extremo

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Amigo (amicus) é como que o guardião da alma (animi custos) (...) e procede de hamus (gancho), isto é, algema de amor. Daí a referência aos anzóis (hami) que prendem.

das coisas q eu entendo

Oh meu amigo! Eu esperei
Tanto tempo por respostas
E depois de tanto tempo
Ainda havia mais
Prá esperar...
Então eu sentei e esperei
E resolvi desprezar o tempo
Mas não sabia mais
O que vestir
Eu não tinha mais
Prá onde ir...
Você não ligou
Quando eu disse
Para ter cuidado
E tinha razão
Você precisa ser livre...
Meus dias
Se passavam rápido
Como um sonho
E você disse
Que eu saberia facilmente
Como chegar
Onde eu queria...
Não há raiva
Não há morte
Só arrependimento e amor
E disso tudo
Eu entendo muito bem...
Você não ligou
Quando eu disse
Para ter cuidado
E tinha razão
Você precisa ser livre...

domingo, 10 de agosto de 2008

eu sei que não existe como te sonho
talvez não sejas tão diferente de mim
a tua imagem projetada, todavia
me arrebata inteiro e já eu não sou
e vivo inteiro esperando completar-me

o que dizem teus olhos? não sei
a única e recente certeza é que
tens medo de mim...
e por amar-te, por teu desprezo, perdi-me
e completamente perdido sigo procurando o fim
até que um dia eu possa te mostar
com o sacrifício da minha vida
quão grande e sincero é o meu sentimento

quarta-feira, 30 de julho de 2008

E por te amar, por teu desdém - perdi-me...

terça-feira, 29 de julho de 2008

......................................n...o..............s......e...n......s.e.......................................

segunda-feira, 28 de julho de 2008

as vezes fico lendo o que posto...
parece que sou emo ou maníaco depressivo
rsrsrs

poderia sê-lo sem problema...
mas acho que penso demais na vida
porque como diria o filósofo

uma vida sem reflexão
não vale a pena ser vivida

variações

os sentimentos (os meus perturbados sempre)
são das coisas que mais me tomam o tempo...
fico pensando na natureza deles
e quão somos mais irracionais que o contrário
o sentimento tem a natureza da diferença,
é absolutamente singular
e por isso é inimigo do pensamento

queria entender que a diferença não significa ausência
ou negação - o que seria muito pior
e que por mais diferentes que sejam
(os sentimentos)
todos sentimos
muito

mas como a de todos
a minha dor
É MAIOR

terça-feira, 22 de julho de 2008

SINAL FECHADO (Paulinho da Viola)

Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro. E você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo, quem sabe?
Quanto tempo...
pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios...
Oh! não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo, talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo...
pois é, quanto tempo...
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso beber
Alguma coisa, rapidamente
Pra semana...
O sinal...
eu procuro você...
Vai abrir...
Prometo, não esqueço
Por favor, não esqueça
Adeus,
Não esqueço, adeus.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

não tem pé não tem cabeça
não tem coração que esqueça

terça-feira, 8 de julho de 2008

abraço forte - maninho

Quando o meu abraço acaba sem sentir o teu
Sinto esse aperto dentro, forte no meu peito

E quando essa parte minha sente essa saudade
É como querer, é só relembrar

Sinto quando vejo o tempo que passou ao longe
Sinto quando lembro o que restou daquele abraço

Uma amizade acima de qualquer lugar
Mais um verso em prosa, consciência que me traz
É bom relembrar, do nosso lugar

E quando o sol nascer aqui, eu sei
Quero te ver mais, ver assim
Quando a tua voz pra mim, cantar
Abraço forte, amigo

quarta-feira, 21 de maio de 2008

hj

eu tava pensando no final feliz... e me toquei q isso é muito americano... até sabia, mas demorei a entender que a vida é surpreendente e que nem sempre o bem vence o mal e tudo termina bem pro mocinho.

lembrei ainda de um filme: Closer

ele tem umas tiradas fabulosas... segue algumas:


A. tem a beleza estúpida da juventude.

voce nao sabe o que é amor, porque nao sabe o que é compromisso

se me ama porque me magoa?

ALICE: Por que você gosta dela? DAN: Porque ela não precisa de mim.

"só o amor não é o bastante!"

mas.. eu teria te amado para sempre"

domingo, 18 de maio de 2008

chaplin

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.
Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.
Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?
quando eu resolvei começar o blog tinha medo de que fosse um diário aberto, e de que seria exposto a um número infinito de pessoas e que me conheceriam e minha vida seria devassada...

percebi que niguém se importa... porderia contar meus mais íntimos segredos e publicá-los que apenas alguns poucos amigos curiosos o saberiam....

descobri tb que nao tenho disciplina pra escrever com a frequencia desejável e necessária... enfim, como escrevo apenas a mim, quem se importa?!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Era eu que queria
e eu que não queria:
era exatamente eu que nem o queria plenamente,
nem o rejeitava plenamente.
Por isso, lutava comigo mesmo
e dilacerava-me a mim mesmo

A. H.

domingo, 6 de abril de 2008

aniversário

somam-se-me os dias...
mais um sem nada pra comemorar,
a não ser o fato de ter aprendido
que a vida é dura com os fracos

das minhas maiores fraquezas,
a que mais me padece
é a profunda sensibilidade,
que tem me impedido de
manter a distância
necessária e segura do mundo

ando profundamente perturbado
e os anos só amplificam minha angústia!

Só tenho um consolo:
quanto mais o tempo passa,
mais breve se torna minha agonia...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Léo e Bia

Como castelos nascem de um sonho
Pra no real, achar seu lugar
Como se faz com todo cuidado
A pipa que precisa voar
Cuidar de amor exige mestria

O. M.

sexta-feira, 21 de março de 2008

niebla

muchas veces se me ha ocurrido pensar, Orfeo, que yo no soy, e iba por la calle antojándoseme que los demás no me veían. Y otras veces he fantaseado que no me veían como me veía yo, y que mientras yo me creía ir formalmente, con toda compostura, estaba, sin saberlo, haciendo el payaso, y los demás reéndose y burlándose de mi...


Unamuno

quinta-feira, 20 de março de 2008

perdi meu manual.... se alguem encontrar, favor entrar em contato............

quarta-feira, 19 de março de 2008

la vida és niebla

sábado, 15 de março de 2008

O casamento dos pequeno burgueses (Chico Buarque 1977-1978)

Ele faz o noivo correto
E ela faz que quase desmaia
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até que a casa caia

Ele é o empregado discreto
Ela engoma o seu colarinho
Vão viver sob o mesmo teto
Até explodir o ninho
Até explodir o ninho

Ele faz o macho irrequito
E ela faz crianças de monte
Vão viver sob o mesmo teto
Até secar a fonte
Até secar a fonte

Ele é o funcionário completo
E ela aprende a fazer suspiros
Vão viver sob o mesmo teto
Até trocarem tiros
Até trocarem tiros

Ele tem um caso secreto
Ela diz que não sai dos trilhos
Vão viver sob o mesmo teto
Até casarem os filhos
Até casarem os filhos

Ele fala de cianureto
E ela sonha com formicida
Vão viver sob o mesmo teto
Até que alguém decida
Até que alguém decida

Ele tem um velho projeto
Ela tem um monte de estrias
Vão viver sob o mesmo teto
Até o fim dos dias
Até o fim dos dias

Ele às vezes cede um afeto
Ela só se despe no escuro
Vão viver sob o mesmo teto
Até um breve futuro
Até um breve futuro

Ela esquenta a papa do neto
E ele quase que fez fortuna
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a morte os una
Até que a morte os una

domingo, 9 de março de 2008

A lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?


Oswaldo Montenegro

domingo, 2 de março de 2008

A Flor e A Náusea



Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cizenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.




Drummond

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

under the bridge

Sometimes I feel
Like I dont have a partner
Sometimes I feel
Like my only friend
Is the city I live in
The city of angel
Lonely as I am
Together we cry

I drive on her streets
cause shes my companion
I walk through her hills
cause she knows who I am
She sees my good deeds
And she kisses me windy
I never worry
Now that is a lie

I dont ever want to feel
Like I did that day
Take me to the place I love
Take me all the way

Its hard to believe
That theres nobody out there
Its hard to believe
That Im all alone
At least I have her love
The city she loves me
Lonely as I am
Together we cry

I dont ever want to feel
Like I did that day
Take me to the place I love
Take me all the way

Under the bridge downtown
Is where I drew some blood
Under the bridge downtown
I could not get enough
Under the bridge downtown
Forgot about my love
Under the bridge downtown
I gave my life away

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

variações...

queria ter a consciência lúcida
para contemplar realidades diáfanas
e me libertar da paixão capadócia
que me acorrenta prisioneiro
nessa etérea plaga

não precisa tudo isso
me contentaria em poder afirmar com os cínicos
nihil humani a me alienum puto

domingo, 17 de fevereiro de 2008

vossa formosa juventude leda

Nossa juventude, nosso só amar-nos
Nossos dias bem vividos
Nossa história tão intensa
Nosso não envelhecer,

Qual Prometeu acorrentado
Sua lembrança não me deixa
Tormentosa sina de quem ainda ama
E sente pela falta da pronúncia

E desespera, e já não crê,e se consola
Afinal, existe pior sentimento que
Acreditar em nada e esperar
Pelo que nunca irá acontecer?

Do gênio só tenho o nome e a licença,
Para de Caeiro, roubar-lhe a obra
E trasladar aos versos já não seus
A falta de sentido que me assola.

Vossa formosa juventude leda,
Vossa felicidade pensativa,
Vosso modo de olhar a quem vos olha,
Vosso não conhecer-vos,

Tudo quanto vós sois, que vos semelha
À vida universal que vos esquece,
Dá carinho de amor a quem vos ama
Por serdes não lembrando

Quanta igual mocidade a eterna praia
De Cronos, pai injusto da justiça,
Ondas, quebrou, deixando à só memória
Um branco som de’spuma.

Já não quero mais pensar
Sobretudo, não quero mais pensar!!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

quo me nutrit
me destruit

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. ...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

fiat iustitia, pereat mundus

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

quanto mais te dou, mais te devo....

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

até o fim...

Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Chico Buarque

si le bon Dieu existe, il me pardonnera, c'est son métier...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação

(Carlos Drummond de Andrade)


.

"This Boy"

This boy wants to play
There's no time left today
It's a shame coz he has to go home
This boy's got to work, got to sweat
Just to pay what he gets to get left all alone

Let's step outside
Let's go for a ride just for a while
No we won't get caught
Well that's what I thought until we cried

I'm still here
But it hasn't been easy I'm sure
That you had your reasons
I'm scared
Of all this emotion
For years I've been holding it down
For years I've been holding it down
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.



As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

eu bandoleiro....
eu um proscrito....
eu um fora da lei....

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

não há orgasmo sem ideologia!!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.
Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.
Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és –
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...

(Álvaro de Campos)

Behind blue eyes (Limp Bizkit)

No one knows what it’s like
to be the bad man
to be the sad man
behind blue eyes
and no one knows
what it’s like to be hated
to be faded to telling only lies

but my dreams they aren’t as empty
as my conscious seems to be
i have hours, only lonely
my love is vengeance
that’s never free

no one knows what its like
to feel these feelings
like i do, and i blame you!
no one bites back as hard
on their anger
none of my pain woe
can show through

discover l.i.m.p. say it

no one knows what its like
to be mistreated, to be defeated
behind blue eyes
no one know how to say
that they’re sorry and don’t worry
i’m not telling lies

no one knows what its like
to be the bad man,
to be the sad man behind blue eyes
Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro

Por Manuela Teixeira (não foi psicografado... ela tem um blog http://www.gritosussurros.blogger.com.br/2004_09_01_archive.html rssrrssrsrrrssrrs)

eu ainda to na fase dos "meus textos dos outros"
some day much more

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Eros e psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Fernando Pessoa

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

eu só preciso de um pouco de atenção...
tem época me me da aquelas coisas de maior abandonado

jura secreta

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que quero me suprime
De que por não saber 'Ainda não quis'

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Sol que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.

Sol que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que quero me suprime
De que por não saber 'Ainda não quis'

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Sol que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Sol que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.

Zélia Duncan





Por enquanto são os meus textos dos outros... logo eu escrevo, de repente assim eu mantenho a minha sanidade..........

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

La loteria en Babilonia

La Compañía, con modestia divina, elude toda publicidad. Sus agentes, como es natural, son secretos; las órdenes que imparte continuamente (quizá incesantemente) no difieren de las que prodigan los impostores. Además ¿quién podrá jactarse de ser un mero impostor? El ebrio que improvisa un mandato absurdo, el soñador que se despierta de golpe y ahoga con las manos a la mujer que duerme a su lado ¿no ejecutan, acaso, una secreta decisión de la Compañía? Ese funcionamiento silencioso, comparable al de Dios, provoca toda suerte de conjeturas. Alguna abominablemente insinúa que hace ya siglos que no existe la Compañía y que el sacro desorden de nuestras vidas es puramente hereditario, tradicional; otra la juzga eterna y enseña que perdurará hasta la última noche, cuando el último dios anonade el mundo. Otra declara que la Compañía es omnipotente, pero que sólo influye en cosas minúsculas: en el grito de un pájaro, en los matices de la herrumbre y del polvo, en los entresueños del alba. Otra, por boca de heresiarcas enmascarados, que no ha existido nunca y no existirá. Otra, no menos vil, razona que es indiferente afirmar o negar la realidad de la tenebrosa corporación, porque Babilonia no es otra cosa que un infinito juego de azares.


Jorge Luis Borges (Ficciones - 1944)



Quem participa das reuniões da Congregação (la tenebrosa corporación) de uma certa FEDNP sabe que qualquer semelhança não é mera coincidência....

domingo, 13 de janeiro de 2008

Esse socialismo também quero (por Clóvis Rossi, publicado na FSP em 13/01/08)


Há furor no Reino Unido pelo fato de o ex-primeiro-ministro Tony Blair ter aceitado posto de consultoria na firma financeira JP Morgan Chase. O jornal "The Guardian" diz que não se surpreendeu porque, "no posto [de premiê], ele ficava muito impressionado com dinheiro e pessoas ricas e agora perdeu o senso de como seu desejo de ganhar tanto, tão rapidamente, ofende os ideais de serviço público e os princípios fundamentais de seu partido" (o Trabalhista, social-democracia britânica). O curioso é que, no Brasil, não houve nem mesmo um leve muxoxo sobre fato bem parecido, qual seja, a admissão por parte de José Dirceu, ex-todo poderoso do governo Lula, de que está prestando consultoria ao biliardário mexicano Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo. Será que Dirceu vai alegar que está "socializando" (a seu favor) a imensa fortuna de Slim? A reação de um lado e do outro do mundo parece indicar que o brasileiro toma como normal que políticos enriqueçam na atividade política e queiram permanecer ricos quando a abandonam (ou são forçados a abandoná-la, como no caso Dirceu, cassado). Nada contra Dirceu ganhar dinheiro dando consultoria a Slim (ou a qualquer outro). É melhor do que ser chefe de uma "organização criminosa", acusação de que se defende no STF. Mas tudo contra a hipocrisia e a desonestidade (dele e de intelectuais afins) de ficar desancando as elites ao mesmo tempo em que são parte delas e, pelo menos ele, se põe a soldo não de um membro qualquer da elite, mas de um supermilionário, conspícuo representante da cobertura do andar de cima. O carnavalesco Joãozinho Trinta dizia que só intelectual gosta de pobre. Errou, João. No Brasil, nem intelectual. Político "socialista", então, nem pensar.



http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1301200803.htm

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Aos que vierem depois de nós

Aos que vierem depois de nós
Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura.
Uma fronte sem rugas denota insensibilidade.
Aquele que riainda não recebeu
a terrível notíciaque está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles. Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.