Nossa juventude, nosso só amar-nos
Nossos dias bem vividos
Nossa história tão intensa
Nosso não envelhecer,
Qual Prometeu acorrentado
Sua lembrança não me deixa
Tormentosa sina de quem ainda ama
E sente pela falta da pronúncia
E desespera, e já não crê,e se consola
Afinal, existe pior sentimento que
Acreditar em nada e esperar
Pelo que nunca irá acontecer?
Do gênio só tenho o nome e a licença,
Para de Caeiro, roubar-lhe a obra
E trasladar aos versos já não seus
A falta de sentido que me assola.
Vossa formosa juventude leda,
Vossa felicidade pensativa,
Vosso modo de olhar a quem vos olha,
Vosso não conhecer-vos,
Tudo quanto vós sois, que vos semelha
À vida universal que vos esquece,
Dá carinho de amor a quem vos ama
Por serdes não lembrando
Quanta igual mocidade a eterna praia
De Cronos, pai injusto da justiça,
Ondas, quebrou, deixando à só memória
Um branco som de’spuma.
Já não quero mais pensar
Sobretudo, não quero mais pensar!!
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