segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Um ensaio sobre o desespero

Acho que um dos primeiros livros que li quando estava no seminário, nas intermináveis noites que passava no escadario a conversar com as cachorras (duas pastoras alemãs), foi O desespero humano - doença até a morte de Kierkegaard.
Era bem apropriado pra quem vivia um dilema proto-religioso que distorcia a consciência-de-si e amplificava os dilemas morais provocados pela noção de pecado... O filósofo dinamarquês sugeria que entre o homem e Deus havia uma diverença abissal... e que a não consciência dessa diferença distorcia as relações do homem consigo mesmo, que se esquecia que além de caminhar para o morte, caminhava para a eternidade, como seu houvesse uma dupla finalidade na existência.
A morte não é um problema, na verdade é a solução da existência. A existência é problema. E o desespero humano - essa doença até a morte- nada mais é do que a angústia provocada pelo dilema shakespereano do ser e do não-ser.
A ausência de certezas quanto ao não-ser é que angustia. Arnauld afirmaria: "Antes de me suicidar exijo que me assegurem a respeito do ser, eu gostaria de estar seguro a respeito da morte".
As seguranças acerca da obliteração do ser são efêmeras, mais talvez, que aquelas que impõem a sua manutenção reacionária.
Viver é reacionário.

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